



Como lidar com a perda da infância? Como lidar com a perda da adolescência? Como lidar com a separação vincular com os criadores? Como lidar com a perda da beleza da juventude? Como lidar com a perda de um amor não vivido? Como lidar com o proibido e o impossível? Como lidar com as conexões imperfeitas? Como lidar com o luto? Como lidar com as perdas?
Em Perdas Necessárias (Melhoramentos 1986), a psicóloga americana Judith Viorst no traz, através de um estudo detalhado – seja em seu embasamento teórico, seja no estudo de casos – uma reflexão lucida, e, por isso necessária sobre a lida com as perdas. Usando a psicanalise como base conceitual, Judith apresenta a colaboração que Sigmund Freud proporcionou para a compreensão e entendimento dos temas abordados em seu livro. Além disso, a psicóloga utiliza estudo de casos, os quais ela mesma acompanhou como terapeuta, a fim de nos trazer exemplos para o desenvolvimento de sua linha argumentativa sobre a lida com as perdas.
O livro é dividido em quatro partes. Na primeira parte Judith irá trabalhar com o conceito de separação “O Eu separado”, o qual trata do processo de separação nos primeiros anos de vida “ Separações graves no começo da vida deixam cicatrizes emocionais no cérebro porque atacam a conexão humana essencial: o elo mãe-filho que nos ensina que somos dignos de ser amados. O elo mãe-filho que nos ensina a amar. Não podemos nos tornar seres humanos completos – na verdade, é difícil tornar-se um ser humano – sem o apoio dessa primeira ligação”.
Na segunda parte, o livro trata sobre o proibido e o impossível. Aqui, ele abordará temas como “Triângulos apaixonados”, “Anatomia e destino”, “Tão bom quanto a culpa” e “O fim da infância”.
Já na terceira parte “Conexões imperfeitas”, o livro aborda “Sonhos e realidades”, “Amigos de conveniência e amigos históricos, Amigos de encruzilhada, Amigos de gerações diferentes e Amigos que aparecem quando os chamamos às duas da manhã”, “Amor e ódio no casamento”, “Salvando os filhos” e “Sentimentos de família”.
Por conseguinte, a quarta parte, fala sobre temas como “Amar, Perder, Abandonar e Desistir”. E aqui ela trabalha costurando outros temas como “Amor e luto”, “Mudanças de imagem”, “Envelhecimento”, “O ABC da morte” e “Reconexões”.
É importante destacar as referências literárias que Viorst nos traz como forma de ilustrar as reflexões e colocações no decorrer do livro, enriquecendo ainda mais a leitura e nos mostrando a importante relação entre literatura e psicanálise como ponto de compreensão sobre o objeto que estamos analisando.
“As perdas na vida são um tema universal. Não se referem apenas à morte das pessoas que amamos, às separações e às partidas, mas também a perda consciente ou inconsciente de sonhos românticos, expectativas impossíveis, ilusões de liberdade e poder. E ainda a perda de nosso próprio eu jovem, o eu que se julgava imune para sempre às rugas, invulnerável e imortal.
Em Perdas Necessárias, Judith Viorst discute esse processo de despojamento que é a vida, reflete sobre nossas perdas constantes e nos ensina a alcançar a maturidade e o equilíbrio psicológico”.
Por Marcos Eugenio